Mostrando postagens com marcador Meio ambiente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Meio ambiente. Mostrar todas as postagens

junho 04, 2026

Complexo Logístico Industrial Farol-Barra do Furado
Complexo Logístico Industrial Farol-Barra do Furado

O Complexo Logístico Industrial Farol-Barra do Furado será instalado no canal das Flexas, também conhecido como canal da Flecha. O novo empreendimento ocupará uma área de aproximadamente 1 milhão de m², segundo noticiado pela imprensa. De acordo com o georreferenciamento realizado, trata-se de uma área de quase 600 mil m², conforme se observa no mapa abaixo. O empreendimento será construído em Campos dos Goytacazes (RJ); contudo, terá como localidade de apoio mais próximo Barra do Furado, pertencente a Quissamã (RJ).

Sua principal função será o desmantelamento de embarcações, embora também se proponha a atender à futura geração de energia eólica offshore, por meio da implantação de uma base de apoio.

O projeto levanta preocupações ambientais significativas. A atividade de desmantelamento de embarcações envolve riscos relacionados ao manejo de óleos, combustíveis, metais pesados e outros resíduos potencialmente poluentes. Embora existam técnicas modernas capazes de minimizar esses impactos, a experiência internacional demonstra que esse tipo de atividade frequentemente ocorre de maneira inadequada.

Além disso, existe uma questão ainda mais complexa envolvendo a disponibilidade de água no canal das Flexas. O canal é uma obra feita pelo Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS), na década de 1940, para escoar mais rapidamente as águas da lagoa Feia no oceano Atlântico. Seu funcionamento depende de um sistema de comportas que, há décadas, é motivo de disputa entre diferentes grupos.

De um lado, pescadores - especialmente os de Ponta Grossa dos Fidalgos, comunidade pesqueira que possui seu primeiro registro cartográfico em 1767 (veja aqui) - defendem o fechamento das comportas, visando à preservação do volume de água da lagoa Feia. De outro, proprietários rurais pressionam pela abertura das comportas para acelerar o escoamento das águas e ampliar áreas potencialmente utilizáveis pela agropecuária, embora seja questionável se parte dessas terras possui, de fato, aproveitamento produtivo relevante.

A implantação do Complexo Logístico Industrial Farol-Barra do Furado poderá introduzir um novo e poderoso ator nessa disputa. Para garantir a navegabilidade e o funcionamento contínuo das operações do complexo, haverá interesse na manutenção permanente de níveis adequados de água no canal. Na prática, isso tende a aumentar a pressão pela abertura das comportas e pelo escoamento das águas da lagoa Feia, especialmente durante os períodos mais secos do ano.

O resultado pode ser o aprofundamento de um processo já observado ao longo de décadas: a redução da área ocupada pela lagoa Feia. Durante o inverno, quando as chuvas diminuem e os níveis hídricos naturalmente recuam, a necessidade de garantir condições operacionais para o complexo poderá estimular a drenagem contínua de água pelo canal das Flexas.

junho 01, 2026

O futuro da ilha do Fundão e do Governador
O futuro da ilha do Fundão e do Governador

Por estarem localizadas em um dos setores mais assoreados da Baía de Guanabara, a ilha do Fundão e o a ilha do Governador podem, em um futuro próximo, ver o avanço desse processo favorecer sua ligação ao continente.

O assoreamento é um processo natural decorrente da deposição de materiais transportados pelos rios que deságuam na baía. José Antônio Baptista Neto e outros autores estimam que, atualmente, cerca de 4 milhões de toneladas de sedimentos sejam lançadas anualmente na baía, especialmente durante as chuvas de verão. A ocupação urbana desordenada, o desmatamento e a poluição dos cursos d'águas que desaguam na baía de Guanabara é que resultaram em números tão expressivos.

Estudos realizados por Elmo da Silva Amador indicam que a taxa de sedimentação na região entre a Ilha do Governador e o continente aumentou significativamente ao longo do tempo. Entre 1850 e 1920, era de aproximadamente 0,27 cm por ano; entre as décadas de 1940 e 1960, subiu para 0,87 cm por ano; e, em 1990, chegou a cerca de 1 cm por ano.

A tendência mais provável é que, inicialmente, essas ilhas passem a se conectar ao continente durante os períodos de maré baixa, enquanto o canal que as separa do continente mantenha algum volume de água durante a maré cheia. Essa interpretação é reforçada pelas observações do já citado Elmo da Silva Amador:

Um terço da Baía desaparece em menos de 100 anos. Outro terço em menos de 200. Sobra pouco menos de 1/3, que é o canal central, o rio. Seria um final da Baía. Da Ilha do Governador para Caxias, dá para ir a pé. A Baía de Guanabara, em função do seu assoreamento, está perdendo sua vida física.

Caso esse cenário de ligação durante a maré baixa venha a se concretizar, é provável que antigas propostas de aterro sejam novamente aventadas. Para isso, seria necessário cobrir aproximadamente 406 mil m² na região do Caju e outros 5,2 milhões de m² ao longo da Cidade Universitária e da Ilha do Governador, conforme o mapa abaixo:

A possibilidade de que essa transformação venha a ocorrer, eliminando definitivamente atividades como a navegação, a pesca e a construção naval, pode parecer exagerada à primeira vista. No entanto, quando se considera que processos semelhantes já ocorreram na própria região, tanto na Enseada de Inhaúma quanto na Ilha do Governador, essa preocupação mostra-se bastante plausível.

dezembro 11, 2025

Campo de Instrução de Gericinó (CIG)
Campo de Instrução de Gericinó (CIG)

Ao observar uma imagem de satélite da região metropolitana do Rio de Janeiro (RJ), é quase certo que muitos identificarão, na porção oeste, os maciços e as baixadas da capital fluminense, com suas áreas verdes e manchas urbanas. Ainda assim, costuma chamar atenção uma extensa área plana e verde próxima ao Maciço de Gericinó-Mendanha.

Esse espaço está incluso no Campo de Instrução de Gericinó (CIG), pertencente ao Exército Brasileiro. Localizado nos municípios do Rio de Janeiro, Mesquita e Nilópolis, o CIG está situado em duas regiões geomorfológicas da metrópole fluminense: a Baixada da Guanabara e parte do próprio Maciço de Gericinó-Mendanha.

O funcionamento do campo de instrução remonta, provavelmente, a 1923, embora seja utilizado para exercícios desde 1905. Atualmente com 37,3 km², o CIG já foi maior: uma reportagem de O Globo, de 2012, apontava uma área de 53 km². A redução pode estar relacionada à cessões de parte do terreno como ocorreu no caso do município de Nilópolis, onde foi criado o Parque Natural do Gericinó.

Constituem o patrimônio do CIG as seguintes áreas: as fazendas Tatajuba (9,3 km²), Cabral (9,4 km²), Bananal (2,1 km²), Pindobal (1,6 km²), Gericinó (6,3 km²), Água Branca (20 mil m²) e Engenho Novo Piedade (38 mil m² e 4,8 km²); o sítio Dendê (224 mil m²); parcelas da antiga fazenda Monte Alegre (197 mil m², 26 mil m² e 8 mil m²); a fazenda Sapopemba (2,3 km²); a área do Parque Radical (495 mil m²) e, possivelmente, ainda uma área revertida ao SPU (425 mil m²), além de áreas atribuídas à Prefeitura de Nilópolis (633 mil m², onde funciona o Parque Natural do Gericinó) e à CEDAE (6,8 mil m²).

Do ponto de vista ambiental, a presença do CIG contribui para a amenização das temperaturas no Rio de Janeiro e nos municípios vizinhos. Isso ocorre apesar da escassa arborização em boa parte de sua área mais baixa e plana. Em contrapartida, nas proximidades do campo de instrução encontra-se a Floresta do Camboatá, também administrada pelo Exército, em condição ambiental mais preservada.

Pela área do CIG passam dois importantes rios da RMRJ - o Sarapuí e o Pavuna - sem que o campo de instrução contribua com qualquer tipo de poluição.

Com base em mapas do próprio CIG, é possível afirmar que dentro de seus limites estão o Centro Nacional de Tiro e o Parque Radical do Rio - este último inteiramente criado para os Jogos Olímpicos de 2016, ainda que o antigo Centro Olímpico de Tiro também tenha sido beneficiado por obras relacionadas ao evento.

Logo, o Campo de Instrução de Gericinó destaca-se como uma das maiores áreas verdes contínuas da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RJ), funcionando, junto à APA Gericinó-Mendanha, como um estratégico refúgio ambiental capaz de amenizar o clima e equilibrar a intensa urbanização ao seu redor.

novembro 29, 2025

Belém: perfil ambiental de uma metrópole na Amazônia
Belém: perfil ambiental de uma metrópole na Amazônia

Belém, capital do estado do Pará, está situada na região Norte do Brasil, inserida no bioma Amazônico e caracterizada pelo clima Equatorial (na classificação de Strahler, Nimer e Köppen (Af/Am, esse último clima de monções)).

Apesar de sua localização na zona costeira brasileira, conforme portaria do Ministério do Meio Ambiente de 2021, Belém não é banhada diretamente pelo oceano Atlântico. Seu território é influenciado principalmente por ambientes fluviais e estuarinos, sobretudo pela baía do Guajará, que domina a geografia urbana. Esta última, embora apresente características de estuário, é, na verdade, um ambiente fluvial, ainda que com influência de marés.

Um dos ecossistemas presentes em Belém é o manguezal. Do oceano para o interior, via baía de Marajó, Belém é o penúltimo a contar com o ecossistema de manguezal, sendo Barcarena o último.

A cidade apresenta elevadas temperaturas e alta umidade ao longo do ano. Nos últimos 60 anos, Belém registrou um aumento médio de 0,9 °C na temperatura do ar, reflexo das mudanças climáticas e da intensificação do processo de urbanização, que contribuem para a redução da cobertura vegetal.

Normal Climatológica do Brasil
Temperatura Média Compensada (°C)
Belém (PA)
Período Jan. Fev. Mar. Abr. Mai. Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez.
1961-1990 25,6 25,4 25,5 25,6 25,8 26 25,7 26 26 26,4 26,5 26,2
1981-2010 26,1 25,8 26 26,2 26,5 26,5 26,3 26,7 26,8 26,9 27,1 26,7
1991-2020 26,3 26,1 26,3 26,5 26,8 26,9 26,8 27,1 27,3 27,3 27,4 27
Diferença 0,7 0,7 0,8 0,9 1 0,9 1,1 1,1 1,3 0,9 0,9 0,8